Dermatologia
Dermatologia veterinária — a pele conta uma história. Sabemos lê-la.
Há algo frustrante na dermatologia veterinária que qualquer tutor que passou por isso reconhece: o ciclo interminável de ‘shampoo + antibiótico + volta ao princípio’. O prurido que não cede. A otite que recorre. A área que coça, fica em ferida, cicatriza, e volta a coçar. Quando este padrão se instala, está na altura de ir mais fundo — e é para isso que o serviço de dermatologia existe.
A pele não vive isolada do resto do organismo. Alergias alimentares, hipersensibilidade a ácaros do ambiente, dermatofitoses, pênfigo foliáceo, sarna — cada uma destas entidades tem sinais cutâneos mas causas completamente diferentes. O diagnóstico diferencial rigoroso é o que separa um tratamento eficaz de mais um ciclo de shampoo.
A nossa abordagem inclui citologia, raspagem cutânea, cultura fúngica, biópsia de pele, testes de alergia e, quando indicado, dieta de exclusão. O plano terapêutico é definido com base em evidência — imunoterapia específica (vacina de alergias), apoqueel, lokivetmab, antifúngicos, antibióticos sistémicos — sempre com monitorização da resposta.
FAQ — Dermatologia
P: Como sei se o meu animal tem alergia alimentar ou ambiental?
R: A distinção clínica pode ser difícil sem testes. A alergia alimentar tende a não ter sazonalidade e melhora com dieta de exclusão rigorosa (12 semanas com proteína e hidratos novos). A alergia ambiental (atopia) costuma ter componente sazonal e responde a imunoterapia. Na consulta avaliamos os dois.
P: As otites recorrentes estão relacionadas com alergias?
R: Frequentemente sim. A otite crônica ou recorrente é um dos sinais mais comuns de alergia ambiental ou alimentar. Tratar apenas a otite sem investigar a causa subjacente é uma batalha perdida.
